Apesar da fome
Que minha alma consome;
Apesar da incerteza
Que me conduz a tristeza;
Apesar da luz
Não conheço Jesus;
Apesar da esperança
Só vejo arrogância.
Apesar da ciência:
Não aprendi a amar;
Não aprendi a tolerar;
Não aprendi a esperar;
Não prendi a ter fé;
Não aprendi as letras do rodapé.
Não aprendi a viver;
Não aprendi a conviver.
Mãe também não aprendeu
E hoje se arrependeu.
Há tanta impertinência,
Pondo à prova a consciência
Presa ao abismo: saber e ciência
Que tudo experimenta,
Mas não descobriu a cura
Para a fome que atormenta,
A minha alma pura.
Sua santidade a ciência:
Ajude-nos a construir,
Um mundo só de amor
Onde a ordem seja cooperar;
E a fome não seja um divisor
E o grande objetivo seja humanizar
Prof. Francisco Cândido, agosto de 09
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